Indígenas pedem demissão do coordenador da Funai de Juína

 



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Indígenas pedem demissão do coordenador da Funai de Juína

Por: Repórter em Ação

17 de Março de 2025 as 20:38

  Indígenas reunidos na sede da Funai - Foto: Maurílio Jr. - Repórter em Ação

Na manhã desta segunda-feira (17/03), um grupo de indígenas realizou um protesto na sede da Funai, regional de Juína, exigindo a demissão do atual coordenador, Marcelo Manhuari Munduruku. Lideranças da etnia Cinta-Larga alegam que seu trabalho à frente da instituição tem sido insatisfatório há muito tempo.

“A gente está brigando há muito tempo. Conseguimos trazer a presidente da Funai até a aldeia Barranco, onde pedimos melhorias e assistência para o povo indígena, mas até agora não tivemos avanços. Por isso, estamos pedindo a demissão do coordenador Marcelo. Ele, como indígena, está muito devagar tanto na assistência quanto na questão política”, destacou Waldomiro Cinta-Larga.

Waldomiro também afirmou que, caso não sejam atendidos, os indígenas pretendem bloquear uma rodovia para chamar a atenção da Funai em Brasília.

“Vamos ter uma reunião com o pessoal de Brasília e esperamos um bom resultado. Se não tivermos, queremos ir para a ponte e fechar. Acho que nós, indígenas, só somos vistos através de manifestação”, alertou.

Entre as principais reivindicações está a falta de veículos que auxiliem as atividades diárias nas aldeias, como a coleta de castanhas e o trabalho na agricultura.

 

AUDITORIA

Em fevereiro deste ano, o Repórter em Ação denunciou que uma auditoria apontou um prejuízo de R$ 209 mil na Funai de Juína, com pedido de ressarcimento. O documento de 2023, obtido pela reportagem, evidenciava diversas irregularidades em pagamentos de despesas com manutenção de veículos e recomendava a responsabilização dos envolvidos, além da devolução dos valores aos cofres públicos.

Marcelo Munduruku assumiu a coordenação após os fatos relatados na auditoria, mas a reportagem identificou que pagamentos considerados irregulares, a cima de R$ 370 mil, continuaram em sua gestão. O próprio coordenador reconheceu que, devido à auditoria, a unidade está com dificuldades para acessar novos recursos de Brasília.

 

PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO

Novos fatos tornaram a situação ainda mais crítica. Em uma reunião realizada em fevereiro deste ano, uma funcionária da Funai revelou que havia um orçamento de R$ 136 mil destinado a custeios, mas que, possivelmente por falta de planejamento, apenas R$ 18 mil foram empenhados e apenas R$ 4 mil liquidados. Como resultado, enquanto os indígenas enfrentam dificuldades nas aldeias, o recurso foi devolvido a Brasília sem ser utilizado.


A reportagem tenta contato com Marcelo Manhuari Munduruku para que ele possa se posicionar sobre as cobranças dos indígenas, o pedido de sua demissão e a razão pela qual os recursos não foram integralmente utilizados em 2024.










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