Na manhã desta segunda-feira (17/03), um grupo de indígenas realizou um protesto na sede da Funai, regional de Juína, exigindo a demissão do atual coordenador, Marcelo Manhuari Munduruku. Lideranças da etnia Cinta-Larga alegam que seu trabalho à frente da instituição tem sido insatisfatório há muito tempo.
“A gente está brigando há muito tempo. Conseguimos trazer a
presidente da Funai até a aldeia Barranco, onde pedimos melhorias e assistência
para o povo indígena, mas até agora não tivemos avanços. Por isso, estamos
pedindo a demissão do coordenador Marcelo. Ele, como indígena, está muito
devagar tanto na assistência quanto na questão política”, destacou Waldomiro
Cinta-Larga.
Waldomiro também afirmou que, caso não sejam atendidos, os
indígenas pretendem bloquear uma rodovia para chamar a atenção da Funai em
Brasília.
“Vamos ter uma reunião com o pessoal de Brasília e esperamos
um bom resultado. Se não tivermos, queremos ir para a ponte e fechar. Acho que
nós, indígenas, só somos vistos através de manifestação”, alertou.
Entre as principais reivindicações está a falta de veículos
que auxiliem as atividades diárias nas aldeias, como a coleta de castanhas e o
trabalho na agricultura.
AUDITORIA
Em fevereiro deste ano, o Repórter em Ação denunciou que uma
auditoria apontou um prejuízo de R$ 209 mil na Funai de Juína, com pedido de
ressarcimento. O documento de 2023, obtido pela reportagem, evidenciava
diversas irregularidades em pagamentos de despesas com manutenção de veículos e
recomendava a responsabilização dos envolvidos, além da devolução dos valores
aos cofres públicos.
Marcelo Munduruku assumiu a coordenação após os fatos
relatados na auditoria, mas a reportagem identificou que pagamentos
considerados irregulares, a cima de R$ 370 mil, continuaram em sua gestão. O
próprio coordenador reconheceu que, devido à auditoria, a unidade está com
dificuldades para acessar novos recursos de Brasília.
PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO
Novos fatos tornaram a situação ainda mais crítica. Em uma
reunião realizada em fevereiro deste ano, uma funcionária da Funai revelou que
havia um orçamento de R$ 136 mil destinado a custeios, mas que, possivelmente
por falta de planejamento, apenas R$ 18 mil foram empenhados e apenas R$ 4 mil
liquidados. Como resultado, enquanto os indígenas enfrentam dificuldades nas
aldeias, o recurso foi devolvido a Brasília sem ser utilizado.
A reportagem tenta contato com Marcelo Manhuari Munduruku
para que ele possa se posicionar sobre as cobranças dos indígenas, o pedido de
sua demissão e a razão pela qual os recursos não foram integralmente utilizados
em 2024.