O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nesta segunda-feira (24/4) que os ministérios do Turismo, Saúde e Fazenda forneçam mais informações sobre o destino referente às emendas parlamentares executadas por meio de transferências, mais conhecidas como “emendas Pix”.
Dino deu 30 dias para que os
ministérios do Turismo e da Fazenda expliquem quantas “emendas Pix” foram
destinados a eventos e se há relação com o programa Emergencial de Retomada do
Setor de Eventos (Perse)— criado em 2021 para compensar os efeitos decorrentes
das medidas de isolamento ou de quarentena durante a pandemia.
A decisão também pede para os
ministérios esclarecerem quais empresas receberam recursos advindos das
“emendas Pix” e se alguma dessas instituições foi autuada por irregularidades
pela Receita Federal.
Dino também questionou o que os
ministérios do Turismo e da Fazenda estão fazendo para assegurar a “plena
rastreabilidade das emendas para eventos, inclusive evitando que um programa de
isenção fiscal (Perse) seja usado para eventual desvio de finalidade na
ocultação de práticas ilegais envolvendo emendas parlamentares?”.
Veja questionamentos de Dino
para a Fazenda e Turismo
Quais empresas foram beneficiadas
finais das “emendas Pix” e contempladas pelo Perse?
Todos os Planos de Trabalho
destinado a eventos foram aprovados? Há planos não analisados, submetidos a
complementações e/ou ajustes ou reprovados?
Dentre os Planos de Trabalho
destinados a eventos, quantos e quais foram ou são executados por empresas
contempladas pelo Perse?
Quais empresas foram contempladas
pelo Perse e beneficiárias finais das “emendas Pix”.
Há empresas beneficiárias finais
de “emendas PIX” que foram contempladas pelo Perse e posteriormente
desclassificadas pela Receita Federal?
Dino pediu para o Ministério da
Saúde detalhar como fiscaliza as emendas destinadas ao Sistema Único de Saúde
(SUS).
Irregularidades
A Controladoria-Geral da União
(CGU) apresentou um relatório apontando falhas em oito entidades que receberam
recursos de emendas, como falta de transparência e problemas na prestação de
contas. O STF intimou essas organizações a corrigirem as irregularidades em 30
dias.
Falta de critério
O mecanismo das emendas de
transferência especial entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF) pela
falta de critérios na escolha dos destinos das verbas. A Corte, então, decidiu
que estados e municípios deveriam apresentar plano de trabalho prévio para
poderem receber os recursos.
No ano passado, o ministro Flávio
Dino, do STF, proferiu uma série de decisões a fim de garantir a transparência
e a rastreabilidade no uso de recursos públicos via emendas parlamentares. Os
despachos, referendados pelo plenário do Supremo, abriram uma crise entre os
Poderes e travaram a aprovação do orçamento por meses.
Em fevereiro deste ano, Dino
homologou plano de trabalho para a execução de emendas parlamentares, o que
encerrou o imbróglio que se arrastava há meses. O ministro, entretanto, frisou
que a decisão não libera emendas com impedimentos técnicos identificados e
suspensões específicas, como nos casos alvos de auditoria pela
Controladoria-Geral da União (CGU).
Ficaram de fora também
transferências especiais, as conhecidas “emendas Pix” sem plano de trabalho,
além de emendas de comissão e de bancada em relação às quais não haja aprovação
ou convalidação registrada em atas de reunião.